quarta-feira, 21 de março de 2012

DE CARRO POR AÍ - ROBERTO NASSER

Coluna 1212/08 - 21/03/2012 edita@rnasser.com.br  fax:55.61.3225.5511 



Auto Argentino, uma exposição exclusiva aos carros dos hermanos
Um pequeno Isard 400, Coupé, 1961, exemplar da leva de micro carros produzido na Argentina, foi o preferido do público e ganhador da Categoria F no Concurso de Estado. Um Citroën 3 cv, 1973, foi o escolhido pelo voto dos expositores na 3ª. Expo Auto Argentino no domingo passado em gramado equestre na cidade de Moreno, 40 km de Buenos Aires.
Curioso, no país detentor da mais rica e refinada frota de antigos na América do Sul, um carrinho com motor monocilíndrico, típico de motocicletas, leve a taça dos apreciadores dos veículos antigos. Mas só podia ser assim. O evento, como claramente informa, é para autos argentinos, um esforço nacionalista para salvar e preservar a história e a representatividade do empreendedorismo, da tecnologia aplicada pelos argentinos na variedade de produtos marcantes do evoluir de sua indústria. O vizinho país tem maior leque de marcas e iniciativas locais distante das grandes montadoras, e preserva referências como o surpreendente projeto e construção de motores – o belo V8 refrigerado a ar, em alumínio equipando o primeiro Justicialista é o melhor exemplo.

Há três anos, dois historiadores, Gustavo Feder e José Luiz Murgo, somaram seus arquivos e iniciativas para divulgar os feitos automobilísticos argentinos. Geraram serviços, histórias, um curso específico, e a melhor forma de expor a idéia de preservação, a exposição Auto Argentino. Parceiro, o Rotary Club de Francisco Alvarez, à frente um incansável Alberto Rosso, aderiu para divulgar, facilitar, envolver-se, e cobrar 10 pesos – R$ 5 – de entrada aos projetados 20 mil visitantes, destinando-os aos fins sociais onde se aplica. A festa vem num crescendo em divulgação, expositores, feira de peças, barracas de alimentação e, mais importante, a consciência do orgulho nacional por participar da história. Autoridades locais deram o ar da presença, Oscar Feliú, governador do Rotary, Mariano West, alcaide – prefeito – da cidade, parlamentares, dentre eles Eduardo Amadeo, articulador de projeto de lei para isentar os antigos de coleção da Argentina da inspeção de segurança veicular – como é a legislação brasileira – removendo ameaças de proibição de circulação e desaparecimento.
Vale a pena

Antigomobilistas brasileiros invadem Buenos Aires especialmente em outubro para ver a Autoclasica, maior das exposições de veículos antigos na América do Sul. Entretanto, nesta edição da Expo Auto Argentino havia apenas um: Roberto Nasser, Curador do Museu Nacional do Automóvel, convidado e tratado como Autoridade Brasileira para trocar experiências e visões do objetivo comum. O Museu é voltado aos veículos brasileiros e tem vivência ao realizar, há 10 anos, o Carro do Brasil, exposição a eles exclusiva, e com o mesmo foco adotado pelos vizinhos.
A Expo Auto Argentino é novidade para brasileiros. A olhos sem vivência histórica, quase todos os veículos são surpresas, apesar das décadas de trabalho para pavimentar a indústria automobilística na Argentina.

Os 21 clubes participantes afinaram a qualidade de seus representantes, dentre muitos a base de sua indústria da mobilidade no pós-guerra, Rastrojero, um picape estatal nascido com motor de trator; Justicialista, com motor próprio ou de gerador Porsche (!); Di Tella; picapes Gringo – uma variação criada pela IES, a fabricante do Citroën 2 e depois 3 CV; toda a renca de Chevolets, Fords, Chrysler lá montados. Em meio aos DKW – de cá doble vê, como pronunciam -a raridade do Face Fissore, modelo especial da Fratelli Fissore para Automotores Santa Fé, lá montadora dos DKW Auto Union. Os Fissore desenvolveram o carro com seu nome para o mercado brasileiro. O nosso, elegante sedã duas portas. O argentino, cupê esportivo.

E coisas especiais, como Lotus Seven produzido by apointment of Anthony Colin Bruce Chapman, fundador da marca, e criações como esportivos para abrigar a mecânica dos Citroën 2 e 3 CV; um raríssimo Andino, esportivo com chassi próprio para portar entre eixos traseiro motor de Renault Gordini e R 12 – aqui, o Corcel. A meu gosto, a oportunidade de ver os Ford Taunus GT, Mustang em escala, com motor Ford 2.3 OHC feito em Taubaté; e IKA Torinos em profusão, incluindo a versão 380W afinada pelo mago Oreste Berta. O Torino tem base de Rambler norte americano, carroceria acertada pelo ícone Pininfarina, mecânica envolvendo muitíssimos interessados, incluindo o penta campeão mundial Juan Manuel Fangio e Berta. Destaque para o Eniak Antique, linhas de esportivo inglês em chassi próprio e motor de origem coerentemente inglesa, o Dodge 1500 – base do nosso 1800. Projeto de Pedro Campo, engenheiro de carros de corrida e ultra leves, de ótimo comportamento dinâmico em suas 103 unidades.
Enfim, uma aula de antigomobilismo.
Vale a pena ? Si, como no, por supuesto ...
Próxima edição em março de 2013. O mês referencia a criação da IAME, estatal que deu base á indústria automobilística argentina. Nela, espera-se que o acordo operacional montado entre o Auto Argentino e o Carro do Brasil possa levar à 4ª. Expo o melhor automóvel escolhido no Carro do Brasil, invertendo-se o comportamento no Carro do Brasil 2014 recebendo o melhor da Expo Auto Argentino, escolhido em 2013.
Quem ganhou. (uma curiosidade, o julgamento é chamado Concurso de Estado. O júri é de colecionadores, indicados pela Federação de Antigomobilismo local, e usa os critérios internacionais. A pontuação se faz pelo Estado, daí o nome, indicando a proximidade visual entre o carro exposto e o original )

Concurso de Estado:
Categoría E: Siam Di Tella 1500 1960
Categoría F: Isard 400 coupé 1961
Categoría G: Citroën AZAM 28 1971
Melhor auto voto de público: Isard 400 coupé 1961
Melhor auto voto dos expositores: Citroën 3CV 1973

Anti Mercedes, BMW, Audi, o Hyunday Genesis
A proposta é corajosa: vender o coreano Hyundai a preço de BMW, Mercedes, Audi, outros automóveis cujo preço os separa do primeiro degrau da motorização importada. Mas é a proposta da Hyundai com o Genesis. Sedã grande, motor V6, 3.8, 32 válvulas com abertura por gerenciamento eletrônico, 290 cv, transmissão automática com 8 velocidades, ótima distribuição de peso, pacote de segurança e de confortos como tem sido marca dos sedãs coreanos da Hyundai e sua irmã Kia.
Vamos combinar, a qualidade dos coreanos tem-se imposto no mundo, sua capacidade em buscar designers ocidentais, de rechear os veículos de detalhes eletrônicos que geram conforto tem sido determinantes para as boas vendas.


Mas no Genesis a questão supera a da qualidade, colocando uma dúvida e seu resultado poderá ser dado para balizar o futuro do mercado: no Brasil os coreanos conseguem peitar os europeus no segmento superior de nome, tradição e imagem de status ? Você, com R$ 220 mil para investir na rubrica automóvel, trocaria um Mercedes, BMW, Audi, outro de marca tradicional por um Hyundai ? Resposta para os sociólogos das vendas.

Roadster, o Mini de boné
Fazer conversível é fácil: tira-se o teto, soldam-se uns reforços inferiores, e a engenharia maior é para fazer a capota funcionar bem. Para fazer o seu, chamado de Roadster, a BMW inovou: encurtou o plataforma para ser um carro exatamente para duas pessoas e sem ociosidade de espaço, como caracteriza este conceito revolucionário desde o fim da década de ´50.


Conseguiu resultado marcante, engraçado, divertido em estática e dinamicamente. Parado, sem capota é jovial. Com ela, divertido pois lembra um boné com a aba para trás.
Dinamicamente a relação entre a distância que separa os eixos e sua largura enfatizam o comportamento de kart, reativo e sempre à mão, direção elétrica, aparatos pró estabilidade. Para completar, motorizações 1.6, 16 válvulas, gerenciamento eletrônico para abertura, 120 cv.  Opção turbo – os motores usados pela Peugeot no 3008 e 408 – com 184 cv. Uma alegria, esta formiga atômica faz Zero a 100 km/h em 7s e final de 227 km/h. R$132.950,00 na versão Cooper, aspirada, e R$144.950,00 na versão Cooper S, turbo.


Roda-a-Roda

Dúvida – A BMW ameaçou pela imprensa internacional suspender o projeto de construir fábrica no Brasil. Seria em SP ou SC e o produto, o BMW série 1. As vendas da marca caíram 75% nos dois primeiros meses do ano e não há regra para garantir rentabilidade. Sem lucro não há investimento.
A sério – O Brasil, por conta da falta de planejamento e programas, com medidas tomadas sem aviso e para resolver a conta do dia, como os 30 pontos sobre o IPI dos importados, está apagando uma das parcelas da conta exigida pelos investidores estrangeiros, a segurança jurídica.

União – Jaguar Land Rover fez acordo com a chinesa Chery. Os chineses farão Jaguar, Land Rover e fornecerão motores. Jaguar Ching Ling ... Já pensou ?

Datsun – Marca conhecida no mercado dos EUA pelo esportivo 240Z, será reativada pela Nissan, mas para rotular carros baratos nos mercados em desenvolvimento – incluindo o Brasil.

Chegando – Coreano, chega à Argentina o Sonic, substituto da GM para o Astra. No Brasil crê-se seja trazido desmontado. Versões hatch e sedan, decorações LT, LTZ e LTZ + automático, todos com motor 1.6 e 115 cv.

Versão – Série pequena, de 4.300 unidades, criada em cima do cavalo de batalha da Renault, o Sandero Stepway. É a Rip Curl, marca de roupa de surf. Para caracterizar, detalhes de decoração como maçanetas externas em inox e equipamento para guardar roupa molhada de surfistas. A R$ 43.990.

Dúvida – Apesar da imprensa garantir a produção do Lodgy no Brasil, a diretoria da Renault  nada resolveu. O Lodgy é outro produto no processo de Dacialização da Renault brasileira. Sua base é a mesma do Logan, Sandero, Duster. Supriria a ausência do Renault Scénic.

Organização – A Prefeitura de Osasco, grande S Paulo, proibiu a circulação de veículos de carga com mais de 7,2m de comprimento e 2,3m de largura. Para organizar o trânsito, como ocorre na capital e nos municípios do ABC.
Caminho – Após conhecer a praça e seu potencial a SKF, fabricante sueca de rolamentos e serviços industriais, implanta plataforma regional de negócios. Começa em Macaé, RJ, e em seguida Três Lagoas, MS, Camaçari, BA e Belo Horizonte. Quer faturar R$ 6M com estas unidades.

Economia – Union Fibras, de Caxias do Sul fornecerá fibras de polipropileno para isolamento termo-acústico para as cabines feitas pela Real, de Novo Hamburgo. Com menores custos substitui a manta asfáltica. É reciclável.

Mudou – Nova cara mundial para os revendedores Ford, a "Trustmark" estará nas novas revendas ou nas reformas e troca de endereço da atual rede. Frente limpa, em cinza metal, pé direito duplo, envidraçado, oval da marca grande e em azul e o da revenda em letra caixa.

Mineirim – A fábrica Mercedes-Benz em Juiz de Fora, MG, ex-automóveis e transformada da produzir e montar caminhões, iniciou entregá-los. Seu poderoso frotista Femsa, engarrafador de Coca-Cola, foi o primeiro cliente dos modelos Accelo 1016C.

Moto – Em Belo Horizonte, o 3º MOTO FAIR. Curto, mas andando para cima. Ano passado, 80 expositores e 25 mil visitantes. Neste, 200 e com certeza maior público. 29 a 1º. de abril, na Expominas, Gameleira.

Mini Challenge – Para fomentar a marca a Mini organiza uma temporada com oito provas. Pelas características dos carros, extremamente disputadas. Próxima, Interlagos, abrindo o campeonato, domingo, 25.
Afim? O MINI Challenge abre ótima oportunidade a pilotos amadores. Os carros são da organização, e a temporada completa custa R$ 160.000 – com três provas por etapa, significa R$ 6.665/prova, incluindo pneus, seguro, cobertura pela BandNews e BandSports.
Fórmula 1 – Cristina Kirscher, presidente da Argentina garantiu, o país retornará ao circuito da Fórmula 1 no próximo campeonato. Antes, a abertura da temporada era no Autódromo de Buenos Aires.
Circo - Circuito de rua, na cidade de veraneio de Mar Del Plata. Para o governo o resgate custará US$ 40M por edição. Investimento para colher gastos e impostos com negócios e visitantes ? Ou político ? O acordo é por três anos, a duração do mandato da presidente.


Antigos – Há 45 anos o Ford Gálaxie iniciou ser montado no Brasil. Solução local, com motor de caminhão F 600, V8, 4.164 hp. Foi e é a grande referência de produto e construção no Brasil, primeiro a oferecer direção hidráulica e transmissão automática. Seu rodar confortável e imponência, levaram-no a ser utilizado por 20 anos como automóvel do Presidente da República.






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